Skip to content
February 8, 2012 / vitorcaldi

RIP WANDO – 1945 – 2012

Alguns artistas da música brasileira são mais conhecidos e respeitados por seu “jeitinho de ser” do que por sua música propriamente. Quando o assunto é breguice, vários nomes surgem, como Beto Barbosa, Reginaldo Rossi, Odair José, Genival Lacerda e, talvez o mais conhecido deles, que faleceu hoje (08 de fevereiro de 2012), Wando.
Seria hipocrisia falar aqui que sou um fã incondicional do Wando e que conheço todas sua músicas. Na verdade, eu não devo conhecer mais que meia dúzia. Além de clássicos atemporais como Fogo e Paixão (meu ia ia, meu io io) e Safada, uma música ou outra desse rei do brega estão na nossa cabeça e fazem parte do repertório de Karaokês, reuniões de família e churrascos.
Clássicos que dominaram as rádios FM em sua época, e fizeram a trilha sonora da tarde de donas de casa e empregadas domésticas que sonhavam acordada com as palavras românticas declamadas por esse sedutor. As vezes vulgar, as vezes romântico, Wando sempre soube o que dizer para atiçar o imaginário romântico/erótico das ouvintes dos programas matutinos e vespertinos.
Wando foi o tipo de personagem que, com o passar do tempo, virou ícone e uma caricatura de si mesmo. E sempre soube levar isso com bom humor. A nós, homens, só nos resta sentar e ouvir as palavras desse Casanova mineiro e aprender os segredos da alma feminina. Às mulheres. só resta escolher e vestir a melhor calcinha em homenagem ao nosso eterno trovador.

January 11, 2012 / vitorcaldi

BBB12

O programa é o mesmo e a ladainha dos haters é a mesma. Então só vou republicar o que escrevi ano passado sobre o BBB 11

http://blogdocaldi.wordpress.com/2011/01/20/big-broder-braziu-11/

big broder braziu 11 12!

Pela 11ª  12ª vez na história desse país, vamos aguentar diariamente o Big Brother Brasil e todas as suas consequências. Mas, se existe uma coisa pior que o Big Brother, são pessoas que, num acesso intelectual-moral repentino, começam a descascar o programa e seus espectadores, falando coisas do tipo: ENQUANTO VC TÁ VENDO BIG BROTHER, EU VOU LER UM LIVRO. Amigo, se você vai ler um lviro do Augusto Cury ou A Cabana, é melhor você ficar no Big Brother. E sempre tem aquele um pouco mais instruído que vai falar: NOSSA, SE PELO MENOS AS PESSOAS SOUBESSEM QUE BIG BROTHER É UM TERMO DA OBRA DO GEORGE ORWELL, EU JÁ FICARIA SATISFEITO. Ora essa, vamos ser sincero. Existe algum programa realmente bom na TV brasileira? Algum programa de entretenimento que realmente encha nossa vida de cultura e informações relevantes? Existia o Castelo Ra-Tim-Bum, mas isso já passou.

As mesmas pessoas que começam a descer a lenha no Big Brother são aquelas que consideram o CQC um programa “inteligente” e que assistem “A Liga” para saber dos problemas sociais do Brasil.

Acho que dificilmente houve na TV algo mais cretino do que o CQC com seu apresentador cretino e seus “humoristas” cretinos. A questão do CQC é que, na teoria, é um jornalismo bem humorado. O problema é que os membros do programa não são jornalistas e são péssimos humoristas. Eu poderia passar dias falando mal do CQC, dos apresentadores e do público que consideram aquilo um bom programa, mas eu prefiro usar uma frase do genial Ronald Rios, quando perguntando sobre o que era melhor, CQC ou Pânico – “Se eu quiser dar boas risadas, eu assisto Pânico. Se eu quiser saber sobre política, eu leio o jornal”. Aliás, Pânico é o único programa que eu assisto de vez em quando na TV aberta. (e até na fechada, que também só tem merda). Acho que em breve vou escrever um post somente sobre como o Pânico é bom e como o CQC é ruim.

Mas voltemos ao Big Brother. Óbvio que o programa, em si, é uma merda. Foi legal na primeira vez, pela novidade, ninguém entendia ainda bem o conceito de reality show (que foi destruído pelo Silvio Patrão Santos, com A Casa dos Artistas, esse sim, showzaço). Hoje, realmente cansou. E cansou tudo o que acompanha o Big Brother…As gírias, os paredões, provas do líder, etc. E, claro, cansou principalmente o Pedro Bial. Se tem alguma coisa pior que o Pedro Bial, é só o Britto Júnior na Fazenda (curto mais esses programas de sub e ex celebridades se humilhando. Muito mais legal do que anônimos se humilhando). Mas, no fim das contas, BBB é só isso. Um programa de entretenimento, e um programa que mexe com o país, vira assunto diário e depois acaba. Igual o campeonato brasileiro. Não espere assistir o BBB para procurar conflitos morais que servem como base para não sei o que num sei da quanta. É nada. É tudo besteira….e é pra ser isso mesmo! Se vc acompanhar o BBB pelos sites de notícia, e lendo os blogs gays, tipo o Morri de Sunga Branca ou oTe Dou um Dado, vc vai se divertir muito mais do que fingindo que não assiste o BBB para parecer uma pessoa culta.

December 20, 2011 / vitorcaldi

Lição no futebol brasileiro? Só no brasileiro?

No último domingo o Santos foi massacrado em campo pelo Barcelona. Apesar de “massacre” ser a palavra mais repetida sobre o que aconteceu em Yokohama, é sem dúvida a melhor definição para o que rolou no jogo.  Após um primeiro tempo em que o time catalão deu um show, não deixando o time brasileiro chegar perto da bola, o jogo foi fechado com chave de ouro com um golaço do melhor jogador do mundo.

Nada além do que já se esperava. Claro, torcedores do Santos estavam acreditando que sim, era possível. Simpatizantes do time, mesmo sendo o rival do seu time (como eu) também achavam que de repente o Santos poderia surpreender. Afinal, essa é a graça do futebol, não é? Um time mais fraco sempre tem a chance de vencer o mais forte no futebol, diferente do que acontece no vôlei ou no basquete, onde o time mais forte vence em 99% dos casos.

Após as esperanças dos Santistas serem desmontadas  por Messi, Xavi, Iniesta e companhia, não demorou até que a patética imprensa esportiva brasileira e, principalmente, alguns blogueiros começassem a ver o que aconteceu em campo como uma “””””lição no futebol BRASILEIRO”””””.

Alguns exemplos são esse tal de Flávio Gomes, que até antes do jogo eu nunca tinha ouvido falar e, claro, o sempre cretino Juca Kfouri.

Esses jornalistas confundem, como diria meu pai, cu com bunda. Pegaram o massacre sofrido pelo Santos como demonstração de que tudo no futebol brasileiro está errado.

Parece que o Santos foi a única vítima do Barcelona. Esqueceram o que aconteceu com o Manchester United, em Londres, na final da Liga dos Campões desse ano. O placar foi 3 x 1 pro Barça. O jogo foi parecido com o do Santos. Posse de bola absurda dos espanhóis e um massacre. Também se falou em lição, mas ninguém falou que foi uma lição no futebol inglês.

Esqueceram do que aconteceu com o Real Madrid uma semana antes da final do mundial. Os merengues tomaram uma senhora sova dentro de casa. E fora o 5 x 0 do ano passado. E fora todas outras surras que o Real Madrid vem tomando do Barcelona ao longo dos anos.

Esqueceram que qualquer adversário que cruzou o Barcelona nos últimos 300 jogos tiveram que assistir o time de Pep Guardiola possuir a bola a maior parte do tempo. É simplesmente um dos melhores time das história. Talvez o melhor time da história. Sem dúvida o melhor que eu vi jogar.

Esses jornalistas, blogueiros, etc, simplesmente esqueceram que o Santos foi o campeão da América. É pouca coisa? No caso do Sr. Joca Kfouri, dá pra entender o desprezo dele pelo time do Santos. Puro recalque por torcer pra um time que tem menos tradição que o São Caetano quando se fala de Libertadores.

Neymar é sim um craque. Não é (ainda) um Messi, mas tem chances pra ser sim. O Santos é sim um grande time, diferente do que disse esse retardado desse Flavio Gomes, que deve entender de futebol o tanto quanto eu entendo de automobilismo (que é sobre o blog dele. Buddy, stick to it.): “O presidente do Santos faz aquela pirotecnia toda para não vender o Neymar e o resto do time é uma merda. Marketing.”

Esse time do dirigido pelo Muricy só deve ser exaltado. Mas, é claro, não estavam aptos para bater de frente com o Barcelona. Ninguém está.

Tivesse o Santos jogado contra qualquer outro grande time do  mundo, Manchester Utd, Milan, Real Madrid, etc, e o jogo seria pau-a-pau. Pode ser que iria perder, mas não como foi contra o Barcelona. Como eu disse, contra qualquer time do mundo. O Barcelona é de outro planeta.

 

PS: Outra parte relevante do blog desse senhor é essa: “Jogar o jogo, jogar bonito. “Joga bonito”, aliás, me parece ser algo que a Nike escreve nas camisas da seleção brasileira. Que não joga bonito faz 30 anos. Puro marketing. É isso o que está acontecendo com o esporte no Brasil: está virando puro marketing, produto para vender cota de TV.”

Claro, nos últimos 30 anos não teve nada além da seleção de 82, dois títulos mundiais, 3 finais, craques como Romário, Rivaldo, Ronaldo….sério, meu amigo, vai se tratar.

November 6, 2011 / vitorcaldi

Extra! Rebeldes criados pela avó invadem reitoria da USP

Eu tive um professor na faculdade de quem eu, em especial, não gostava. Ele é um desses senhores de meia idade que pegou o finalzinho da ditadura e acha que lutou e isso e aquilo. Não tenho como julgar a história desse senhor, pois não o conheço direito, mas tenho quase certeza da trajetória dele. Filhinho de papai, com os  estudos que foram bancados pela grana do pápi, curtia ficar alí entre os amigos, fumando um baseado e sem se preocupar com o custo social de cada tragada que ele dava. Esse professor, durante as aulas, adorava soltar um discurso social. Falava de como nós nos portamos individualmente, como somos mesquinhos, como isso e como aquilo, e, na prática, não fazia nada disso. Aconteceu um caso, por exemplo, de ter visto uma colega de sala minha, sua aluna, ser assaltada perto da faculdade e sequer teve a decência de parar para conversar e tentar acalmar a menina.

Um dia esse professor soltou um dos maiores absurdo que ouvi nos quatro anos do curso de relações internacionais (e olha que foram muitos). Numa discussão sobre a lei anti-fumo em locais fechados, ele disse que “a sociedade cada vez mais faz exclusões. Hoje excluem os fumantes. Amanhã excluem os negros!”. Na hora meu cérebro parou e eu achei que ia ter um AVC. Não era possível que ele estava falando aquilo.  Na cabeça “social” dele, o direito dele de fumar em local fechado é mais importante do que a vontade da maioria que não quer fumar. Com uma desculpa de que estavam excluindo os fumantes, ele prioriza sua vontade individual contra a vontade da maioria.

Dei essa volta toda para chegar no caso dos alunos da USP, que fizeram uma “revolução” na FFLCH. Não quero entrar no mérito de ter ou não policiais no campus. Eu estudei em uma escola pública onde haviam PMs na escola e sei como é o abuso de autoridade da polícia militar. A questão aqui é: qual é o real motivo da invasão da reitoria da USP?

Os estudantes estão brigando por melhores condições de ensino? Estão brigando por uma política mais justa para a entrada de alunos da rede pública? De alunos com dificuldades financeiras? Não, nada disso. Eles estão fazendo uma revolução para poder puxar um banza dentro da faculdade.

Os mesmos garotinhos criados a leite com pera e toddynho, que se dizem socialistas, estão brigando simplesmente para consumir algo que é produto de uma indústria criminosa que é responsável pela morte de centenas de inocentes toda semana.

Eu, é claro, sou totalmente a favor da liberalização da maconha. Seria muito mais fácil, mas há muito interesse para que isso não aconteça. Enquanto não é liberado, caso não plante a própria erva, cada um dos “rebeldes” da USP estão lutando para ter o direito de consumir, com tranquilidade, um produto que tem um peso social muito maior  do que o discurso pré-fabricado que eles vomitam.

Esse texto é, principalmente, um desabafo de quem é um eterno sonhador e romântico com a esquerda e vê nesses estudantes a total deturpação de tudo em que acredita. Daqui a alguns anos esses, com o perdão da grosseria, filhos-das-putas, estarão reunidos, gerentes de grandes empresas, rindo e lembrando do dia em que foram rebeldes, bancados pelo papai.  Ou ainda aqueles que mais se mantiverem fiéis aos seus propósitos estarão ensinando o ideologias que não praticam, como o caso do meu professor citado no começo.

PS: O pior de tudo foi ler um texto do Reinaldo Azevedo e ficar com vergonha de concordar com ele. Obrigado, estudantes da USP, por darem argumentos para a mais venenosa cara da imprensa brasileira.

October 5, 2011 / vitorcaldi

O facebook pode ser divertido!

De uns tempos pra cá os internautas brasileiros ficaram divididos entre duas grandes redes sociais. O Orkut e o Facebook. O Orkut começou suas atividades no Brasil lá pelos idos de 2004 e foi um fenômeno para todos que queriam bisbilhotar a vida dos outros. Claro que bisbilhotar a vida dos outros já era algo corriqueiro para quem já usava a internet com maior frequência, mas o Orkut levou a atividade de “stalker” para um outro nível. Saber se a outra pessoa estava namorando ou não, ver as fotos e, principalmente, ler e reler os scraps deixados pra lá e pra cá. Aliás, o número de scraps recebidos era um sinalizador de quão popular ou influente você era nessa brincadeira, mas isso não vem ao caso.

Enquanto o Brasil se esbaldava no Orkut, o resto do mundo usava o Facebook que, até pouco tempo atrás, era usado somente por brasileiro muito descolados e/ou quem havia morado fora.

Aos poucos, o Orkut foi decaindo, decaindo, decaindo….Alterações que os criadores pensavam que iria agradar os usuários, transforam a rede em algo absurdamente feio. Scraps coloridos com anjinhos e mensagens de Jesus vinda de pessoas que você nem lembrava que existia, começaram a encher um pouco o saco.

O povo com o gosto um pouco mais “refinado” para a internet viu no Facebook a salvação de continuar tendo uma rede social bonita, sem palhaçadas e, como o twitter já estava bombando, o “mural” era algo muito divertido, pois era um twitter no qual você via os comentários dos seus amigos.

Ah, que maravilha foi o Facebook por um ano!

O problema é que um tempo depois, aquela galera que te mandava os scraps de Jesus brilhando também descobriu o Facebook e, desde então, novas manias foram inseridas no dia-a-dia do pobre usuário comum.

Eu uso o Facebook com a intenção de interagir, publicar besteira, dar risada da besteira que outros publicam, etc. Mas, ao que parece, tem gente que usa o Facebook com a intenção de salvar o mundo. Todo santo dia você acorda e lê algo do tipo “SE VOCÊ É CONTRA O ESTUPRO DE CRIANÇAS SOMALIANAS COLE ISSO NO SEU MURAL” – “SE VOCÊ É CONTRA O EXTERMÍNIOS DOS TEXUGOS NA INGLATERRA COLE ISSO NO SEU MURAL” – “Se você isso”, “Se você aquilo”. O senso comum dessas mensagens chega a ser engraçado.

E, como todos sabemos, a velocidade com que as coisas se espalham na internet é algo absurdo. Basta ver o rise and fall da horrorosa Banda Mais Bonita da Cidade. Sucesso absoluto por um fim de semana. (Por onde andam esses malas? Beijo, Leila Lopes!).

Além desse processo de “conscientização”, as pessoas também não sabem que as redes sociais não são lugares para deixar recadinhos, indiretas, etc. Gente, vocês já sairam do colégio. Sério, isso tá ficando muito chato.

Bom, quem sou eu pra falar, mas segue aqui um pequeno manual de como usar o Facebook. Você pode concordar ou não.

- Indiretas, recados, etc. O Facebook não foi feito pra isso, meus amigos. “TEM GENTE QUE SE ACHA E SÓ DEPOIS VAI VER O QUE TÁ PERDENDO RS #FIKDIK”. Sério, pra que isso? Provavelmente a pessoa nem vai ler e, se ler, nem vai saber que é pra ela.

- Campanhas de conscientização. A última foi, antes desse texto ser escrito – TROQUE SEU AVATAR POR UM DESENHO SE VOCÊ FOR CONTRA A VIOLÊNCIA INFANTIL”. Porra, é meio óbvio que todo mundo é contra a violência infantil, né? Eu acho difícil algum molestador se manifestar e falar “Oi, sou pedófilo, não vou trocar minha foto por desenho nenhum!”

- Ser super consciente e reclamar da falta de iniciativa do brasileiro. “ENQUANTO VC TÁ AI TROCANDO A FOTO, MILHÕES DE CRIANÇAS MORREM! HIPÓCRITAS!!!#@!” Não, as pessoas não são hipócritas. Só são tontas. E você é mais ainda.

- Filtrem as suas publicações. Vc pode publicar o que quiser, mas não precisa ser de 2 em 2 minutos um “KKKK EH FODA VIU” “VIXI HJ TA TRETA NO TRAMPO”

- Evitem o óbvio. De sexta-feira não precisa falar que é sexta-feira. Quando tá calor, não precisa falar que tá calor. Quando tem jogo do seu time, não precisa falar que tem jogo do seu time (comentar o resultado pode, óbvio).

- Evitem as correntes. Pouca gente usa e-mail hoje em dia, e graças a Zeus o Facebook ainda não permite publicar arquivos em power point. Contudo, essas correntes de COLE NO SEU MURAL são extremamente chatas. É o novo spam. Evitem isso, por favor.

- “HJ É MAIS UM DIA PARA VENCER” “ESTOU MELHOR QUE ONTEM E NÃO TÃO BEM QUANTO AMANHÔ. Amigo, livro do Augusto Cury é tipo 10 reais, não precisa de você aqui falando isso.

- Escreva em português claro, correto, e coerente. Eu sei que as vezes é difícil, mas faça uma forcinha.

Já ouvi milhões de pessoas falando como o facebook ou o orkut arruinou relacionamentos, amizades, etc. Usem direito que isso não vai acontecer.

August 30, 2011 / vitorcaldi

esquerda / direita / etc

Vim pro trabalho hoje, me sentindo aprisionado como sempre, com uma frase na cabeça. Vou dividir em duas partes:

“Quem não é de esquerda quando jovem não tem coração…”

Tirando algumas aberrações como a juventude do Democratas, é difícil mesmo que uma pessoa jovem não tenha uma inclinação à esquerda, mesmo que não saiba disso. Se preocupar com o outro, com o todo, com o mundo. Sou meio besta com isso, acredito que as pessoas querem o bem das outras na maiorias das vezes. Mas vamos à segunda parte da frase:

“…quem continua quando velho, perdeu a razão”. “

E também concordo com essa parte. Não que tenha perdido a razão. A razão continua, mas que tenha perdido a emoção. Vamos ao longo dos anos nos entregando pouco a pouco. Dizem que quem continua “de esquerda” quando velho perdeu a razão pq os que mudaram de lado se conformaram, perderam o pique, se entregaram. Aos poucos vemos que não tem muito a ser feito, vamos nos conformando em buscar o nosso. Tirando alguns casos admiráveis, a velhice é acompanhada de cinismo. E, em muitos casos, amargura. Amargura de ter tentado e não conseguido e agora tenta ridicularizar os que tentam. Há aquele ar de “Há, jovem. Eu sei como é isso. Uma hora vc vai crescer e entender o que é a vida…bla bla bla…veja minha casa, meus carros, bla bla bla”. É só uma amargura de quem pretendia melhorar o mundo e teve que se conformar em melhorar a própria vida.

Mas não é culpa dessas pessoas não. Não há muito a ser feito.

“Eles venceram, e o sinal está fechado para nós, que somos jovens”.

Por isso, encerro com a citação de alguém que já representou a rebeldia, deixou sua mensagem e hoje também é um velho que se preocupa em aumentar sua fortuna. Há como culpa-lo? Simples e direto:

“I hope I die before I get old!”

August 15, 2011 / vitorcaldi

Veto do dia do orgulho hetero.

Nós, moradores da cidade de São Paulo, temos muitos motivos para termos vergonha do nosso prefeito Gilberto Kassab. Felizmente, hoje, ele não nos deu mais um motivo.

A criação do Dia do Orgulho Hétero foi uma proposta do vereador Carlos Apolinário (DEM) que foi vetada pelo prefeito Kassab.

A proposta da criação de tal dia é tão, mas tão babaca, que nem merece ser comentada. Óbvio que não seria aprovada, nada foi além de uma maneira do Apolinário (de quem eu duvido seriamente da orientação sexual) chamar a atenção. Nem mesmo alguém como o Kassab poderia aprovar tamanho despautério.

Como eu disse, é tão besta que nem devia dar a atenção que esse senhor de quem eu duvido da macheza quis chamar, mas aproveito o tópico para abordar outras questões.

Em São Paulo é realizado um dos maiores eventos contra a homofobia do mundo, a parada gay. A intenção de Apolinário foi, sem dúvida criar a questão na cabeça do cidadão comum, leitor da Veja e espectador do casal Bonner : “Ué, se eles podem, eu também posso ter orgulho da minha orientação sexual…né?”

Não, não é. A democracia é construída pela participação de todos os grupos de uma sociedade. No Brasil elegemos nossos representantes ao legislativo pelo sistema proporcional, garantindo que grupos de menor expressão sejam representados.

As minorias precisam lutar com todas as forças para fazerem valer seus direitos. Por esse motivo é sim possível ter um dia do orgulho homossexual e não um do heterossexual. Vamos à alguns exemplos:

“Um negro pode usar uma camiseta escrita 100% negro. Se um branco usa uma camiseta escrita 100% branco é racismo!”

Acho que talvez o exemplo mais comum. Geralmente é seguido pelo “no Brasil nem existe racismo”. Ignora-se totalmente a história do negro no Brasil e as consequências disso nos dias de hoje.

“Se as mulheres querem direitos iguais tem que ter deveres iguais”

Até concordo que as mulheres podem ter deveres iguais, pois são capacitadas para qualquer tarefa que um homem pode exercer. Mas se você não quer ser cavalheiro e pagar a conta, é um jeito cretino de dizer que quer dividir. Existe sim, e muito, preconceito com as mulheres no Brasil. Quantos aos deveres, muitas ficam com o trabalho fora de casa e ainda o de casa, já que pelas convenções sociais, essas tarefas são delas.

“Se existe o dia do orgulho gay, deveria existir o dia do orgulho hétero”.

Assim como temos o dias das mulheres e não temos o dia dos homens (sim, tem aquele do dia 19 de novembro, mas é por motivos de saúde, não pelo orgulho, como o feminimo) não temos motivo algum para ter uma data para celebrar o orgulho heterossexual. Homem com mulher, “do jeito que Deus quis e tá na bíblia”. Alguém já viu alguém apanhar na rua por ser hétero?

Nossa sociedade é assim, “o macho, adulto, branco – sempre no comando”. Melhorias aconteceram, e vêm acontecendo, mas infelizmente sempre existiram forças que tentam brecar o progresso. Só é importante lembrar que todos devem ser representados. Desde os homossexuais, que podem eleger candidatos como o Jean Wyllys, até tontos que pensam da forma exposta acima, que são representados pelo Carlos Apolinário.

August 8, 2011 / vitorcaldi

Indignez-Vous!

Ontem, andando por uma livraria, vi um livreto que me chamou a atenção pelo título. Em letras pretas enormes lia-se “Indignez-Vous!” ou seja, “Indignem-se”. O peguei na mão, comecei a ler e vi que era uma leitura não muito difícil. Para mim, que estou aprendendo francês, era um prato cheio.

Cheguei em casa e procurei sobre o livro na internet e eis o que encontrei e as minhas opiniões depois de ler:

O livro foi escrito por um senhor de 93 anos, que foi parte do Conselho Nacional da Resistência, lutando contra a invasão nazista na França. Indignez-Vous (ainda sem tradução para o português) aponta inicialmente para os problemas atuais da França. É o motivo principal do livro a preocupação do autor para a atual política imigratória francesa, o recuo dos direitos civis alcançados ao longos dos anos, a diminuição do alcance da seguridade social, etc.

Stephane Hessel, o autor, conta como esses direitos e essa seguridade social foram conquistadas pós 1945, e como os jovens da França (e do mundo) de hoje devem se engajar, lutar e, principalmente, se indignar para que essas conquistas não sejam perdidas em nome do liberalismo econômico e dos mercados financeiros.

O senil ex-diplomata afirma que a pior das atitudes é, sem dúvida, a indiferença. “Cherchez et vous trouverez” (Procure e você achará) afirma o Hessel. Razões para indignação não faltam.

Umas das principais razões de indignação para ele hoje é a questão Palestina. Todo o engajamento, contudo, deve ser feito de forma pacífica, defende o autor. Mesmo dando razões para que o terrorismo seja compreensível, ele não está de acordo com a forma violenta de luta. Na última parte do livro, o autor mostra os motivos para uma “insurreição pacífica”.

O livreto, de 30 páginas apenas, virou um fenômeno literário na França e caiu como uma bomba. Um livro que tinha tudo para ser um desastre (escrito por um senhor de 93 anos em forma de manifesto e sem uma escrita rebuscada) acabou se tornando um importante alerta para a juventude francesa.

Mais do que um pedido de engajamento, o livro é um alerta ao crescimento da extrema-direita na Europa e a perda de direitos sociais. Um aviso vindo de alguém que viveu os horrores do nazismo e dos governos totalitários. Que esse livro seja lido por toda a Europa. Que incite movimentos pacíficos de revolta, como o que acontece na Espanha.

“Criar é resistir – Resistir é criar”

Para quem quer ler, aqui está o link:  http://www.millebabords.org/IMG/pdf/INDIGNEZ_VOUS.pdf

Traduções livres em espanhol e inglês já podem ser encontradas na internet.

July 25, 2011 / vitorcaldi

Bye, Amy!

Nesse sábado Amy Winehouse entrou para a lista de rockstars que morrem aos 27 anos. Nesse seleto grupo também estão nada menos que Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix e outros.
Amy teve em sua curta carreira apenas dois discos.

O primeiro promissor e o segundo um sucesso estrondoso. Back to Black emplacou no mínimo 5 músicas nas paradas de sucesso e foi o disco mais vendido de 2007. Nesse album a cantora trouxe a tona uma sonoridade mais “roots” e adotou aquele penteado que a tornou característica.

Com a exposição e o sucesso, Amy se tornou alvo fácil de paparazzi e todos os seus escândalos e excessos estampavam as primeiras páginas dos já exagerados tablóides ingleses. Nesses 5 anos desde o lançamento de Back to Black tivemos a oportunidade de ver Amy usando todo tipo de droga. Desde alcool até crack. As suas loucuras e bizarrices viraram motivo de piada e até um site foi criado para que se tentasse acertar a data certa da morte da cantora (será que alguém acertou?).

A morte veio, como era de se esperar. Apesar de ainda não ter nenhuma divulgação da causa real da morte, imagino que todo mundo sabe o motivo.
Agora, esse post aqui é para defender uma coisa cruel que eu penso: ela morreu na hora certa!
Claro, o ser humano Amy Jade Winehouse, que tinha pai, mãe, amigos, etc, é uma perda. Para essas pessoas, não para mim. O que interessa pra mim e para a maioria das pessoas é Any Winehouse como artista. Essa sim eu sinto uma pena perder uma mulher tão talentosa. Back to Black é um discaço, que não cansa mesmo ouvindo do começo ao fim no repeat. Agora, o que eu quero dizer é que ela foi na hora certa, é que Amy chegou num estado em que nada mais poderia sair dalí.

Como vários outros grandes artistas, ela chegou num ponto em que todo mundo esperaria algo dela e esse algo simplesmente não viria. Eu imagino que se ela tivesse se recuperado das drogas, logo lançaria um cd de capa branca (oposto ao Black) e com um título algo como “Reborn!”. Fico feliz que você não tenha passado por isso, Amy. Vamos lembrar sempre de você pelo groovy e pela voz poderosa que conhecemos nos seus dois únicos disco. Sim, é melhor ir cedo com algo bom do que se arrastar produzindo porcaria. Resumindo, citando o filósofo Neil Young: It’s better to burn out than to fade away.

 

July 18, 2011 / vitorcaldi

Falando “certo”…?

Looked dead, didn’t I?

É, tudo indicava que esse era mais um blog que iria para o limbo. E provavelmente vá. Mas depois de alguns meses, aqui  estou.

O que me inspirou a escrever esse texto foi uma coluna que li na Caros Amigos desse mês do escrito Marcos Bagno (autor de O Preconceito Linguístico – http://pt.scribd.com/doc/6313101/PRECONCEITO-LINGUISTICO-Marcos-Bagno).

O texto leva o título de “Falar Brasileiro” e aponta as imposições que colocamos no falar “certo” e falar “errado”. Nossa concepção do idioma é construída por uma noção de que certa forma gramatical é certa e outra errada. O que é definido como a forma certa é um produto do que as elites decidiram como correto. Não é de se admirar que a “forma culta” do português impõe uma (com o perdão da palavra nada culta) caralhada de regras que, pela utilização ou não dessas regras, faz-se uma divisão social. O domínio pela linguagem é algo evidente, quando vemos um político fazendo um discurso ou um juiz dando uma sentença, abusando de palavras difíceis, que ninguém entende nada e ninguém tem coragem de discordar. (Já que nem entendeu mesmo). A vontade que dá mesmo é gritar “Fala direito, ô arrombado!” .

A nossa língua é muito mais do que a “forma certa” que tentam nos empurrar. Não estou defendendo que sair por aí cometendo atrocidades com o idioma é o correto,  mas antes de julgar a inteligência de alguém pela linguagem usada, deve-se levar em consideração o porquê daquela pessoa estar usando determinado tipo de linguagem.

A restrição de uma “única” forma certa da língua é, além de um meio de domínio social, também uma forma de restringir nosso pensamento.  Se certa coisa se diz de tal forma e quem dizer de outra forma será ridicularizado, estamos nos levando para caminhos Orwellianos da Novafala.

 

“O objetivo da Novafala não era somente fornecer um meio de expressão compatível com a visão de mundo e os hábitos mentais dos adeptos do Socing, mas também inviabilizar todas as outras formas de pensamento. A idéia era que, uma vez definitivamente adota a Novafala e esquecida a Velhafala, um pensamento herege – isto é, um pensamento que divergisse dos princípios do Socing – fosse literalmente impensável, ao menos na medida em que pensamentos dependem de palavras para ser formulados.(…)

Para tanto, recorreu-se à criação de novos vocábulos e, sobretudo, à eliminação de vocábulos indesejáveis, bem como a subtração de significados heréticos e, até onde fosse possível, de todo e qualquer significado secundário que os vocábulos remanescentes porventura exibissem. Vejamos um exemplo. A palavra “livre” continuava a existir em Novafala, porém só podia ser empregada em sentenças como: “O caminho está livre” ou “O toalete está livre”. Não podia ser usada no velho sentido de “politicamente livre” ou “intelectualmente livre”, pois as liberdades políticas e intelectuais não existiam nem como conceitos, não sendo, portanto, passíveis de ser nomeadas”.

(ORWELL, 1984, p. 348)

Que a língua esteja sempre em transforação e viva os neologismos!

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.