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October 24, 2010 / vitorcaldi

Famiglie, o PIG, o assassinato de Tuma e a censura

Marinho, Frias, Civita, Nascimento Brito…esses nomes poderiam facilmente ser substituídos por Corleone, Barzini, Tattaglia e Cuneo, tamanha a semelhança entre o modus operandi do PIG* e das famílias mafiosas do livro O Poderoso Chefão.

PIG – Partido da Imprensa Golpista.

É essencial em uma democracia que exista liberdade de imprensa. Isso é indiscutível, assim como é indiscutível a importância da imprensa para vigiar e informar sobre os trambiques que acontecem no meio político.

Contudo, o que temos no Brasil, não é uma imprensa que funciona para vigiar e informar. É uma imprensa que funciona como um partido político, pronto à atacar impiedosamente um dos lados da disputa, e acobertar o outro.

Muitas vezes o PIG lança factóides, calúnias, mentiras e, em outros casos, chega a cometer crimes mais graves. Um dos últimos grandes golpes do PIG na democracia foi o assassinato do candidato ao senado Romeu Tuma.

No dia 24/09, a Folha publicou oficialmente, às 19h29, uma notícia informando a morte de Romeu Tuma…Sabemos, contudo, que Tuma está mais vivo que muita gente.

A notícia do suposto falecimento do candidato beneficiou somente uma pessoa: Aloysio Nunes.

A pesquisa do datafolha (há!) do dia 22 de setembro mostra o seguinte quadro:

Marta Suplicy liderando, com 24%

Netinho com 24%

Aloysio e Tuma com um empate técnico, respectivamente com 16% e 14%.

“Meu deus! Vão eleger dois senadores da coligação do PT e ainda vão lá se juntar ao Suplicy!”.

Isso, para o PIG, não poderia acontecer e, para isso, foi preciso assassinar o candidato.

Nós sabemos que o Sr. Tuma não é nenhum exemplo de homem que se preocupa com as populações mais pobres e que tem um enorme carinho pelos seus semelhantes e pelos direitos humanos. Imagine, então, o que boa parte do eleitorado do Tuma pensou.

“Caceta, o velho Tuma ta morrendo. Nem vai poder entrar lá no senado com um treizoitão. Bom, nessa sem-vergonha que chifra o marido em público eu não voto. Muito menos naquele negão que espanca a esposa….vou votar no tal do Aloysio aí.”

E votaram. Aloysio conseguiu boa parte desses votos, se elegeu como o senador mais votado, e Tuma ficou atrás até mesmo de Ricardo Young, do PV.

A Folha de São Paulo assassinou Tuma duas vezes. Uma no sentido figurado, já que ele (ainda) está vivo e outra literalmente, para a política. O filho do senador deu uma entrevista à Carta Capital, mostrando profunda indignação com a impunidade e com a ousadia da Folha de, sequer, publicar uma errata. (http://www.aggio.jor.br/rogerio_tuma.htm)

Esse é só um exemplo de como funciona nossa imprensa. Para ela tudo, e contra ela nada. Após cometer uma atrocidade dessa, a Folha passa impune. São esses mesmos meios, que clamam por liberdade de imprensa, que fazem mal uso dessa liberdade. Na verdade não é um uso, é um abuso. O que há no Brasil é isso. Abuso da liberdade de imprensa. Abuso da liberdade de expressão. Ameaça-se um  processo judicial (que todos têm direito de começar contra o jornal, caso se sintam caluniados de alguma forma) e o jornal se diz “censurado”.

Censurado ou causador de censura?

A mesma folha, que em um edital nada imparcial publicado em um belo domingo pré-eleições, clamava por liberdade de expressão, conseguiu tirar do ar, por meio de uma liminar, o blog humorístico e sem fins lucrativos “Falha de São Paulo”. O blog, que não passava de uma brincadeira feita por dois irmãos, foi retirado do ar com a possibilidade de ter que pagar R$ 1000 de multa por dia, caso continuasse no ar.

O Estadão, que se diz sob censura há 443 dias (hoje é dia 17 de outubro de 2010), demitiu uma funcionária, a jornalista e psicóloga Maria Rita Kehl, por escrever um texto que ia contra a “ideologia” do jornal. É incrível, mas podemos usar esse termo mesmo para a linha de pensamento do jornal. Ideologia. O texto da jornalista pode ser lido aqui (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php)

Os nossos eternos vigilantes e bastiões da democracia, nossa imparcial imprensa toma um lado da disputa e, pior que isso, não admite que está em um dos dois lados. Nossa imprensa não tem coragem de “sair do armário” e se assumir de um dos lados da disputa eleitoral e finge estar sob a as regras da imparcialidade e do pluralismo.

Como eu disse no começo do texto, a vigilância é importante. E foi importante nos casos de corrupção do governo atual que puderam ser comprovados. Mas, todo o estardalhaço feito contra a corrupção some quando a coisa fede do lado deles.

Casos suspeitos, como as concessões do governo de São Paulo feitas para a Alstom, são dignas de pequenas notas no meio do jornal. Jamais viram manchetes.

No blog do jornalista Paulo Henrique Amorim há uma seleção de escândalos encobertos na gestão do PSDB em São Paulo (www.conversaafiada.com.br).

Para terminar, só uma frase surge na minha cabeça para questionar a nossa imprensa, que está sempre nos vigiando e protegendo. Mas, final, como diria Alan Moore: quem vigia os vigilantes?

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7 Comments

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  1. Ana Paula Guimarães / Oct 24 2010 9:07 pm

    É… A imprensa persegue tanto o PT que mostrou o tempo todo o Netinho e a Martha na frente na disputa pelo senado, quando o Aloísio Nunes não era nem citado… Sinceramente, acreditar nessa de que a falsa notícia sobre o Tuma, publicada pela Folha, foi a causadora da eleição do Aloísio, é quase como acreditar em Papai Noel, Coelho da Páscoa e Fadinha do Dente. Não sou PSDB nem muito menos PT. Esse lance de eleição já mais que me encheu o saco, principalmente pela falta de opção, mas não podia deixar este cometário passar…..

    Fora isso, bem vindo de volta ao mundo dos bloguinhos, Vítaro!!!

  2. vitorcaldi / Oct 24 2010 9:15 pm

    Mas não foi a imprensa que mostrou o Netinho e Martha na frente, foram os institutos de pesquisa, que são contratados não só pela imprensa, mas também pelos próprios partidos!
    A imprensa tem jogado tão sujo. É inexplicável a Folha, um dos maiores jornais do Brasil, dar uma notícia dessa, totalmente sem fundamento, e nem se explicar.
    É um absurdo a senhorita vir me esculhambar até aqui, hein!
    heuehuehuehuehu

  3. Fel / Oct 24 2010 9:15 pm

    Parabéns pelo blog novo !
    Agora vai ??

  4. Laís / Oct 24 2010 9:32 pm

    Vitinho, como profissional de imprensa, devo dizer que não concordo com boa parte do que você falou. Concordo sim que Folha de São Paulo, Veja e Globo não são o melhor exemplo de jornalismo. Mas a Carta Capital também não é.
    Atualmente, considero o Estadão o melhor jornal diário e a IstoÉ a melhor revista semanal. Por que? Porque não estão comprando lado nessa briga suja e anti-ética que se tornou essa eleição presidencial.
    Espero ansiosamente que essa eleição acabe logo, porque cada dia surge um escândalo e um factóide novo para destruir os miolos da classe média e apontar como próximo santo na fila de canonização do Vaticano este ou aquele candidato.
    De toda forma, acho uma fatalidade que a Maria Rita Kehl tenha sido demitida depois de um texto despretensioso. Acho pífia a justificativa do Estado para isso, dizendo que o jornal não tinha assumido uma posição até aquele texto.
    Devo te lembrar também, ou posicionar, por assim dizer, que o sindicato dos jornalistas de São Paulo fez um manifesto pró-censura para, invariavelmente, prejudicar o PSDB. É de conhecimento público no meio que o Serra é o maior caçador de cabeças de jornalistas do país e que o PSDB tem se valido de uma declaração infeliz do Zé Dirceu para rebolar até o chão dizendo que o PT é uma ditadura.
    Enfim, enrolei para dizer que liberdade de imprensa é sim cada órgão poder se posicionar da forma que quiser e que não existe jornalismo apartidário. Nem aqui, nem em lugar nenhum do mundo. Cabe a nós, como cidadãos e como público,decidir de qual lado estamos. Enfim. Tente manter o novo blog. rs

    • vitorcaldi / Oct 24 2010 9:45 pm

      Louise, concordo com o que você disse sobre a Carta Capital. Porém, eles tiveram um posicionamento honesto desde o começo das eleições. Sempre foram declaradamente pró-Dilma, diferente da Veja, da Folha ou do Estadão, que tentam se manter sob o título de independentes, pluralistas e imparciais.
      Agora, discordo totalmente de você dizer que o Estadão é o menos pior. O Estadão, num edital aí, declarou o voto ao Serra (o que é louvável. Teria sido menos feio se a Folha, Globo, Veja, etc, tivessem feito isso).
      Os jornalistas, individualmente, podem ser anti-Serra, mas os patrões deles não. Diz a lenda que quando a Globo passou o vídeo montado “de um outro objeto que atingiu Serra” houve vaias na redação. Mas, todos têm que garantir o pão de cada dia, né…
      Pode ser que não exista jornalismo apartidário, mas o problema é jornalismo partidário fingindo ser apartidário.

  5. Dani / Oct 24 2010 11:10 pm

    já tinha lido esse texto quando vc escreveu e já falamos sobre isso. o q eu sei é q eu to chegando num ponto de ‘num vejo a hora dessa merda acabar’. eu to nessa vibe. vem comigo.

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