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November 16, 2010 / vitorcaldi

Tropa de Elite 2 – osso “nem tão duro” de roer…

Não teve jeito. Depois de evitar e evitar, acabei indo ao cinema para ver Tropa de Elite 2. Com a certeza de que sairia enojado do cinema, sentei na poltrona e acabei ficando um tanto quanto surpreso. Desde o primeiro filme, fiquei com a impressão de que Tropa de Elite (o primeiro)  é um filme que falha ao transmitir sua mensagem e, portanto, é um filme fraco. José Padilha transformou em ícone e herói um policial que mata, tortura, atira para depois perguntar. Realmente não acredito que essa tenha sido a intenção desde o começo. Mas aquela narrativa em “off” do filme, com o Capitão Nascimento chamando o telespectador de “parceiro” e empurrando seu discurso moralista e reacionário, acabou levando a população a aplaudir os atos covardes cometidos pelo BOPE e torcer para o Baiano tomar um tiro na cara.

No começo de Tropa de Elite 2, pensei que Padilha tivesse assumido de vez a faceta de extrema direita do agora Coronel Nascimento e deixado qualquer moralismo de lado. O filme começa com uma tomada em que há uma rebelião em Bangu e, ao mesmo tempo que começa a bagunça toda, Nascimento apresenta seu “rival” durante o filme. Um defensor dos direitos humanos, o deputado Diogo Fraga. Esse personagem é rebaixado logo no início, enquanto ele faz um discurso cheio de flores e o bicho pega dentro da prisão. Após um erro operacional do BOPE, um grande massacre é desencadeado em Bangu e o coronel Nascimento é promovido de cargo, virando um novo herói da classe média por ter comandado a execução dos presos. A cena que mostra a popularidade que o caveira ganhou pela sua obra-prima é de vomitar. Nascimento é aplaudido de pé pela alta burguesia do Rio de Janeiro que almoçava numa churrascaria onde estava o governador do estado.

A partir disso, com a ascensão de Nascimento, ele decide que é hora de combater o mal pela raíz. Dentro do “sistema” (que é incansavelmente repetido pelo policial) ele consegue combater e desarticular o tráfico nos morros e, com isso, atrapalha o esquema dos policiais corruptos. Um desses policiais consegue armar um outro esquema, gerando uma milícia para proteger a população da favela da própria polícia. Esse policial é o Major Rocha, que tem mais cara de vilão nazista do que de PM.

Aos poucos Padilha começa a desconstruir o seu primeiro filme. O fascista e torturador capitão Nascimento vai dando lugar à um senhor que começa a enxergar o problema como um todo, e não achar que crime se combate subindo na favela e metendo bala em “vagabundo”.

O coronel vê que, quem estava certo o tempo todo sobre a formação de milícias era o seu rival, o deputado Fraga.  Durante o filme a rivalidade vai dando espaço ao respeito mútuo entre os dois, ambos buscando os mesmos objetivos, mas de formas e com ideologias diferentes.

Por trás de todo o “esquema” do major Rocha estão políticos do alto escalão, que vão um a um caindo aos pés de Nascimento. Não pela bala, mas pela palavra.

Tropa de Elite 2 superou o primeiro por não ser só um filme de porrada, tiro e faca na caveira, ele deu espaço à reflexão. Se não é um filme que mergulha no problema, ele dá uma visão diferente do primeiro, onde a tortura e execução eram as armas para combater a violência. No discurso final de Nascimento, ele diz que não sabe o sentido dos seus 20 e tantos anos de polícia e nem o porquê de tantas mortes. Apesar de uma retórica simplista, em que “Tudo é corrupto. Tudo está fodido. Tudo está errado”, Tropa de Elite 2 é um filme político.

ps1: Despretensiosamente, sem chamar atenção, Padilha coloca um poster do filme Z – de Costa Gravas – em uma cena que o deputado Fragas saia do cinema. “Coincidentemente”, uma tentativa de assassinato à Fraga é feita por dois homens em uma moto (assim como em Z, mas nesse eles matam mesmo o político que queria mudar as coisas).

Brinque de achar o Wally procurando esse poster aqui:

No mais, fica o destaque para as atuações de Wagner Moura que está, dessa vez sim, realmente muito bem no filme e também de André Mattos, que está muito engraçado como um apresentador de TV bonachão, no melhor estilo Datena.

ps 2: Se quiserem ver um bom filme sobre o BOPE, favelas do Rio, Tráfico de drogas, etc, assistam: Notícias de uma Guerra Particular, da Katia Lund.

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5 Comments

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  1. Chili / Nov 16 2010 6:37 am

    isso é pra vc parar com essa mania de ficar julgado os filmes ANTES de assistir!!!

    a diferença do 1 para o 2…é que o 1 apesar de ser um filme de ficção é uma história baseada em fatos reais (acontecidos com Rodrigo Pimentel e os amigos dele)

    já o 2..padilha entra totalmente de cabeça na Ficção e apesar das “coincidencias” com fatos reais. tudo que foi colocado é criação dos autores

    ou seja o 1 é a vida real misturado com ficção
    e o 2 é a ficção misturada com a vida real

    deu pra sacar ?

    • vitorcaldi / Nov 16 2010 7:25 am

      E aquela história: como eu vou esperar que o 2 é bom se o 1 é um lixo?
      E em nenhum momento eu disse que o filme é bom, mas é bem melhor que o primeiro. A destruição da imagem do Cap. Nascimento, o novo herói da classe média, foi mto boa.
      Ver a reação de fascistas como o Reinaldo Azevedo (Veja) após o filme é delicia:

      http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/tropa-de-elite-2/

  2. Thais Pane / Nov 16 2010 8:12 pm

    Vitinho!!!
    Amei as criticas… to louca pra ver esse filme mas daqui fica dificil!

    manda bjo pra nagai e pro pedro!

    beijos!

    • vitorcaldi / Nov 16 2010 8:48 pm

      Valeu, dear!
      “Assina” lá pra vc receber as atualizações! =)

      Bjos!

Trackbacks

  1. Filmes de 2010 « Blog do Caldi

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