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November 26, 2010 / vitorcaldi

Ao Sul da Fronteira – Oliver Stone

O documentário de Oliver Stone sobre o surgimento de uma nova esquerda na América Latina começa de uma forma emblemática, com uma jornalista americana criticando Chavez e Evo Morales por eles serem viciados em “cacau” (cocoa). Depois de ser corrigida por seus companheiros, ela diz que eles são viciados em coca. É esse tipo de “misinformation” estúpida que Stone busca combater em seu filme, que começa com uma crítica à grande imprensa americana que demonizadora dos presidentes latino-americanos que não estejam totalmente alinhados e nem sejam totalmente subserviente aos interesses dos EUA.

Stone começa o filme na Venezuela, onde há uma longa entrevista com Hugo Chavez. Para mostrar o motivo da ascenção de Chavez ao poder, o diretor aponta para a política econômica da época pré-Chavez, totalmente baseada no petróleo e somente para garantir os interesses das elites. Os interesses das classes mais ricas da América Latina sempre estiveram diretamente relacionados aos EUA e, por isso, nossa síndrome de cachorro pequeno diante do tio Sam. O FMI, grande terror dos latinos nos anos 90, é mostrado por Stone como uma ferramente de dominação política e econômica criada pelos EUA.

A mídia é o principal assunto no filme de Stone. A tentativa de golpe de estado sofrida por Chavez em 2002 é mais uma vez mostrada de outro ângulo. Nos EUA, onde a tentativa de golpe foi ovacionada, as principais emissoras (FOX, CNN, etc) já declaravam Pedro Carmona o novo presidente da Venezuela e, com uma grotesca edição de imagens, mostrava manifestantes pró-Chavez atirando em uma suposta manifestação pacífica contra Chavez. Existe um outro documentário que trata exclusivamente dessa questão, que é o filme A Revolução Não Será Televisionada, de 2003.

Indo mais ao Sul, Oliver Stone passa pela Bolívia de Evo Morales, pela Argentina de Christina Kischner, pelo Paraguai de Fernando Lugo e pelo Brasil, mostrando como anos de repressão e de esquecimento das populações mais pobres pelo Estado levou um militar popular, uma mulher, um índio e um ex-metalúrgico ao poder.

Passando por todos esses países, Stone mostra a resistência das elites e da mídia (controlada por essas elites) ao aparecimento desses líderes.

A frase de Stone sobre a imprensa latina define a linha de pensamento do filme:

“No Brasil, na Venezuela. Na Argentina. Grandes cadeias, grandes famílias, eles são como as oligarquias. Eles são donos dos meios de comunicação, das emissoras de televisão. E eles os usam para interesses próprios. E eles mentem” – Oliver Stone



Sempre causando polêmica em seus filmes, o diretor não poupa palavras e nem imagens para criticar e questionar a administração dos EUA em relação aos assuntos de seus vizinhos.

Oliver Stone em encontro com a presidenta Dilma

Uma boa entrevista do diretor, que mostra bem seu pensamento sobre a América Latina, pode ser lida aqui.

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One Comment

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  1. jornalmultipolar / Nov 28 2010 9:25 pm

    Obrigada Vitor!

    Parabéns a você também pelo blog, seus textos são incríveis.

    Não deixe de escrever para o Multipolar!

    Atenciosamente,

    Aline Martins – Multipolar

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