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July 18, 2011 / vitorcaldi

Falando “certo”…?

Looked dead, didn’t I?

É, tudo indicava que esse era mais um blog que iria para o limbo. E provavelmente vá. Mas depois de alguns meses, aqui  estou.

O que me inspirou a escrever esse texto foi uma coluna que li na Caros Amigos desse mês do escrito Marcos Bagno (autor de O Preconceito Linguístico – http://pt.scribd.com/doc/6313101/PRECONCEITO-LINGUISTICO-Marcos-Bagno).

O texto leva o título de “Falar Brasileiro” e aponta as imposições que colocamos no falar “certo” e falar “errado”. Nossa concepção do idioma é construída por uma noção de que certa forma gramatical é certa e outra errada. O que é definido como a forma certa é um produto do que as elites decidiram como correto. Não é de se admirar que a “forma culta” do português impõe uma (com o perdão da palavra nada culta) caralhada de regras que, pela utilização ou não dessas regras, faz-se uma divisão social. O domínio pela linguagem é algo evidente, quando vemos um político fazendo um discurso ou um juiz dando uma sentença, abusando de palavras difíceis, que ninguém entende nada e ninguém tem coragem de discordar. (Já que nem entendeu mesmo). A vontade que dá mesmo é gritar “Fala direito, ô arrombado!” .

A nossa língua é muito mais do que a “forma certa” que tentam nos empurrar. Não estou defendendo que sair por aí cometendo atrocidades com o idioma é o correto,  mas antes de julgar a inteligência de alguém pela linguagem usada, deve-se levar em consideração o porquê daquela pessoa estar usando determinado tipo de linguagem.

A restrição de uma “única” forma certa da língua é, além de um meio de domínio social, também uma forma de restringir nosso pensamento.  Se certa coisa se diz de tal forma e quem dizer de outra forma será ridicularizado, estamos nos levando para caminhos Orwellianos da Novafala.

 

“O objetivo da Novafala não era somente fornecer um meio de expressão compatível com a visão de mundo e os hábitos mentais dos adeptos do Socing, mas também inviabilizar todas as outras formas de pensamento. A idéia era que, uma vez definitivamente adota a Novafala e esquecida a Velhafala, um pensamento herege – isto é, um pensamento que divergisse dos princípios do Socing – fosse literalmente impensável, ao menos na medida em que pensamentos dependem de palavras para ser formulados.(…)

Para tanto, recorreu-se à criação de novos vocábulos e, sobretudo, à eliminação de vocábulos indesejáveis, bem como a subtração de significados heréticos e, até onde fosse possível, de todo e qualquer significado secundário que os vocábulos remanescentes porventura exibissem. Vejamos um exemplo. A palavra “livre” continuava a existir em Novafala, porém só podia ser empregada em sentenças como: “O caminho está livre” ou “O toalete está livre”. Não podia ser usada no velho sentido de “politicamente livre” ou “intelectualmente livre”, pois as liberdades políticas e intelectuais não existiam nem como conceitos, não sendo, portanto, passíveis de ser nomeadas”.

(ORWELL, 1984, p. 348)

Que a língua esteja sempre em transforação e viva os neologismos!

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One Comment

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  1. Daniela Viegas / Jul 19 2011 10:06 am

    língua também é opressão. mas tbm é liberdade. quem se faz entender e sabe usar as diferentes variedades linguisticas sempre sai na frente. e esse deveria ser o papel da escola (mas isso já é outro post)

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