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November 6, 2011 / vitorcaldi

Extra! Rebeldes criados pela avó invadem reitoria da USP

Eu tive um professor na faculdade de quem eu, em especial, não gostava. Ele é um desses senhores de meia idade que pegou o finalzinho da ditadura e acha que lutou e isso e aquilo. Não tenho como julgar a história desse senhor, pois não o conheço direito, mas tenho quase certeza da trajetória dele. Filhinho de papai, com os  estudos que foram bancados pela grana do pápi, curtia ficar alí entre os amigos, fumando um baseado e sem se preocupar com o custo social de cada tragada que ele dava. Esse professor, durante as aulas, adorava soltar um discurso social. Falava de como nós nos portamos individualmente, como somos mesquinhos, como isso e como aquilo, e, na prática, não fazia nada disso. Aconteceu um caso, por exemplo, de ter visto uma colega de sala minha, sua aluna, ser assaltada perto da faculdade e sequer teve a decência de parar para conversar e tentar acalmar a menina.

Um dia esse professor soltou um dos maiores absurdo que ouvi nos quatro anos do curso de relações internacionais (e olha que foram muitos). Numa discussão sobre a lei anti-fumo em locais fechados, ele disse que “a sociedade cada vez mais faz exclusões. Hoje excluem os fumantes. Amanhã excluem os negros!”. Na hora meu cérebro parou e eu achei que ia ter um AVC. Não era possível que ele estava falando aquilo.  Na cabeça “social” dele, o direito dele de fumar em local fechado é mais importante do que a vontade da maioria que não quer fumar. Com uma desculpa de que estavam excluindo os fumantes, ele prioriza sua vontade individual contra a vontade da maioria.

Dei essa volta toda para chegar no caso dos alunos da USP, que fizeram uma “revolução” na FFLCH. Não quero entrar no mérito de ter ou não policiais no campus. Eu estudei em uma escola pública onde haviam PMs na escola e sei como é o abuso de autoridade da polícia militar. A questão aqui é: qual é o real motivo da invasão da reitoria da USP?

Os estudantes estão brigando por melhores condições de ensino? Estão brigando por uma política mais justa para a entrada de alunos da rede pública? De alunos com dificuldades financeiras? Não, nada disso. Eles estão fazendo uma revolução para poder puxar um banza dentro da faculdade.

Os mesmos garotinhos criados a leite com pera e toddynho, que se dizem socialistas, estão brigando simplesmente para consumir algo que é produto de uma indústria criminosa que é responsável pela morte de centenas de inocentes toda semana.

Eu, é claro, sou totalmente a favor da liberalização da maconha. Seria muito mais fácil, mas há muito interesse para que isso não aconteça. Enquanto não é liberado, caso não plante a própria erva, cada um dos “rebeldes” da USP estão lutando para ter o direito de consumir, com tranquilidade, um produto que tem um peso social muito maior  do que o discurso pré-fabricado que eles vomitam.

Esse texto é, principalmente, um desabafo de quem é um eterno sonhador e romântico com a esquerda e vê nesses estudantes a total deturpação de tudo em que acredita. Daqui a alguns anos esses, com o perdão da grosseria, filhos-das-putas, estarão reunidos, gerentes de grandes empresas, rindo e lembrando do dia em que foram rebeldes, bancados pelo papai.  Ou ainda aqueles que mais se mantiverem fiéis aos seus propósitos estarão ensinando o ideologias que não praticam, como o caso do meu professor citado no começo.

PS: O pior de tudo foi ler um texto do Reinaldo Azevedo e ficar com vergonha de concordar com ele. Obrigado, estudantes da USP, por darem argumentos para a mais venenosa cara da imprensa brasileira.

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8 Comments

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  1. Daniela Viegas / Nov 7 2011 9:37 am

    tem nem o q falar, concordo com tudo. só ainda não tive coragem de ler o texto da veja.

  2. Paula / Nov 7 2011 10:11 am

    Sem contar que esse mesmo prof um dia soltou : “Só nao usei coca pq meu nariz é grande e eu ía dar prejuízo”. Agora vc analisa a demagogia que ele faz e fica pensando “e esse idiota recebe pra falar isso”.

  3. Fernanda Octaviano / Nov 7 2011 5:18 pm

    Eu tb estudei em escola publica minha vida toda, e nunca fui oprimida pela PM muito pelo contrario, sempre fez me sentir segura.
    Prefiro a PM na porta da escola do meu sobrinho do que criança kracuda (haha) assaltando eles.

  4. vinteeseisdesign / Nov 8 2011 10:40 am

    Estudei minha vida toda em escola pública, o policiamento era escasso, e defunto? ahhh isso era normal, pelo menos 2 por ano… encontraram o corpo ali do lado, no matagal, estruparam uma menina de 12 anos (minha idade na época) que tinha acabado de sair da escola as 16 hrs… A sociedade é corrompida, e sinceramente isso já deu o que tinha que dar, cansei d’eles denegrirem patrimônios públicos. consegui sobreviver mas e os que não conseguiram?

  5. Laís / Nov 10 2011 12:00 am

    Não li o texto da veja também. E concordo com muita coisa do que você disse, Vitinho, exceto a opressão da polícia em escola pública. Assim como a Fernanda, estudei em escola pública a vida toda e sempre me senti segura com a presença da polícia. Nunca tive nenhum motivo para temê-la. Teme e se sente oprimido quem deve alguma coisa.
    Quanto à maconha, sempre pensei assim, libera e cobra imposto. Não só a erva, mas todo e qualquer tipo de droga. Taxou, usa quem quer e o crime perde esse repasse milionário.

  6. Geovana / Nov 13 2011 8:43 pm

    Se voce se interessasse e lesse o que realmente os estudantes estão protestando e não só acreditasse no que a mídia diz, poderia escrever um texto q fizesse sentido.
    Esse discursinho barato de ‘estudantes maconheiros vagabundos’ é muito fácil fazer quando não se está a par dos reais fatos:

    http://quevenhaabaixo.blogspot.com/2011/11/ocupacao-da-usp.html

    • vitorcaldi / Nov 13 2011 8:50 pm

      Se vc mostrar no meu texto onde eu falei que todo estudante da USP é maconheiro e vagabundo, eu te dou razão. Não é o que está escrito aí. Se quiser fumar, que fume, mas não na faculdade. Lá não é lugar. Vcs (tenho certeza que vc é uma delas) é uma molecada safada, criada para acreditar que só tem direitos e não deveres. Esse papo de que todo mundo que pensa contra vocês é “manipulado” pela mídia é uma resposta tão medíocre quanto a o “protesto” que estão fazendo. Sabe o que vocês são?Um bando de bundões que querem ter um motivo para serem revoltadinhos. Querem manifestar?Se juntem ao movimento dos sem-teto que estava sendo desapropriados de um prédio semana passada.

  7. Gabriela / Nov 20 2011 9:47 pm

    Eu li o texto da veja e a essência não é muito diferente do que foi dito aqui. Eu concordo em parte do que foi dito. Liberar a maconha não tornará nada mais fácil, sinceramente…

    E mais. Os estudantes “rebeldes mimados” dizem que a imprensa não cobriu o lado deles, mas quando os jornalistas tentaram algo do tipo o que aconteceu? Os nossos grandes revolucionarios os agrediram. Colheram o que plantaram, matérias só com um lado na situação

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