Skip to content
January 20, 2011 / vitorcaldi

big broder braziu 11

Pela 11ª vez na história desse país, vamos aguentar diariamente o Big Brother Brasil e todas as suas consequências. Mas, se existe uma coisa pior que o Big Brother, são pessoas que, num acesso intelectual-moral repentino, começam a descascar o programa e seus espectadores, falando coisas do tipo: ENQUANTO VC TÁ VENDO BIG BROTHER, EU VOU LER UM LIVRO. Amigo, se você vai ler um lviro do Augusto Cury ou A Cabana, é melhor você ficar no Big Brother. E sempre tem aquele um pouco mais instruído que vai falar: NOSSA, SE PELO MENOS AS PESSOAS SOUBESSEM QUE BIG BROTHER É UM TERMO DA OBRA DO GEORGE ORWELL, EU JÁ FICARIA SATISFEITO. Ora essa, vamos ser sincero. Existe algum programa realmente bom na TV brasileira? Algum programa de entretenimento que realmente encha nossa vida de cultura e informações relevantes? Existia o Castelo Ra-Tim-Bum, mas isso já passou.

As mesmas pessoas que começam a descer a lenha no Big Brother são aquelas que consideram o CQC um programa “inteligente” e que assistem “A Liga” para saber dos problemas sociais do Brasil.

Acho que dificilmente houve na TV algo mais cretino do que o CQC com seu apresentador cretino e seus “humoristas” cretinos. A questão do CQC é que, na teoria, é um jornalismo bem humorado. O problema é que os membros do programa não são jornalistas e são péssimos humoristas. Eu poderia passar dias falando mal do CQC, dos apresentadores e do público que consideram aquilo um bom programa, mas eu prefiro usar uma frase do genial Ronald Rios, quando perguntando sobre o que era melhor, CQC ou Pânico – “Se eu quiser dar boas risadas, eu assisto Pânico. Se eu quiser saber sobre política, eu leio o jornal”. Aliás, Pânico é o único programa que eu assisto de vez em quando na TV aberta. (e até na fechada, que também só tem merda). Acho que em breve vou escrever um post somente sobre como o Pânico é bom e como o CQC é ruim.

Mas voltemos ao Big Brother. Óbvio que o programa, em si, é uma merda. Foi legal na primeira vez, pela novidade, ninguém entendia ainda bem o conceito de reality show (que foi destruído pelo Silvio Patrão Santos, com A Casa dos Artistas, esse sim, showzaço). Hoje, realmente cansou. E cansou tudo o que acompanha o Big Brother…As gírias, os paredões, provas do líder, etc. E, claro, cansou principalmente o Pedro Bial. Se tem alguma coisa pior que o Pedro Bial, é só o Britto Júnior na Fazenda (curto mais esses programas de sub e ex celebridades se humilhando. Muito mais legal do que anônimos se humilhando). Mas, no fim das contas, BBB é só isso. Um programa de entretenimento, e um programa que mexe com o país, vira assunto diário e depois acaba. Igual o campeonato brasileiro. Não espere assistir o BBB para procurar conflitos morais que servem como base para não sei o que num sei da quanta. É nada. É tudo besteira….e é pra ser isso mesmo! Se vc acompanhar o BBB pelos sites de notícia, e lendo os blogs gays, tipo o Morri de Sunga Branca ou o Te Dou um Dado, vc vai se divertir muito mais do que fingindo que não assiste o BBB para parecer uma pessoa culta.

Sobre a edição atual, eu ainda não tenho muito o que comentar. Só acho triste que o transsex tenha saído. Seria realmente engraçado ver um bombadão beijando mulher de gogó em rede nacional. Brasil covarde! Não aguentou o mais baixo da Rua Augusta diariamente na telinha da tv!

Então, minha gente, entenda isso. O Big Brother é uma bosta? Óbvio! Mas vc falando mal do BBB todo ano é mais chato do que o Bial fazendo uma poesia nonsense anunciado a saída da traveca!

 

VEM PRA CÁ ARIEL ARIADNA!

 

Advertisements
January 12, 2011 / vitorcaldi

O fechamento do Belas Artes

Há uma semana saiu a notícia sobre o fechamento do Belas Artes, tradicional cinema de São Paulo na esquina da Rua Consolação com a Avenida Paulista. Quando o cinema perdeu o patrocínio do HSBC (e eu, como cliente, perdi a meia-entrada) isso já era meio que previsto. Caso o cinema realmente feche é, sem dúvida, uma grande perda para a cidade.

Não nos restaram muitas opções de cinema além dos cinemões de shopping, onde podemos escolher entre ver um filme do Will Smith, um filme da Angelina Jolie ou (agora tem essa) um filme com o filho do Will Smith! Claro que também é legal ir ao cinema só para ver um blockbuster, comer pipoca e ir ao McDonalds, mas cinema é muito mais que isso e é em cinemas como o Belas Artes, o Espaço Unibanco, o Reserva Cultura, etc, que podemos ver um filme que foge do padrão para o grande público.            

Não só o filme é diferente, mas o ambiente é diferente. Quando você vai à um cinema de rua, você saiu da sua casa, pegou metrô, ônibus, seu carro, ou sei lá o que, para ir ao cinema! Você não aproveitou para dar uma passada na Renner e comprar aquela cueca que tava precisando. Ver outro cinema de rua, e um dos grandes, fechar, é lamentável. Perdemos o Gemini há pouco tempo e agora podemos perder esse que é meu cinema favorito. Torço realmente para que não aconteça.

Hoje, com a facilidade de acesso à filmes pela internet (o que posso dizer? Esse fim de semana assisti três filmes que ainda não estrearam por aqui…mas com certeza vou conferir Cisne Negro e Bravura Indômita na telona!), os cinemas tendem a perder público. Óbvio. E precisam se adaptar à isso.   

Contudo, sempre existirá um público fiel dos cinemas e, esses cinemas que são voltados para esse público, precisam saber trabalhar isso. Hoje saiu outra notícia que nos dá algum fio de esperança. Na Folha, o arquiteto Nabil Bonduki informou suas intenções de um projeto para o cinema ser considerado como patrimônio público. Vamos esperar e torcer para que o cinema não seja derrubado e seja substituído por uma loja de departamento.               

Assisti algumas dezenas de filme no HSBC e, posso apontar dois momentos inesquecíveis. Assistir O Sétimo Selo (Ingmar Bergman) e A Estrada da Vida (Frederico Fellini) na telona, com projeção de filme, com direito à parar o filme no meio para trocar o rolo, não tem preço. Isso não dá pra baixar na internet.

January 10, 2011 / vitorcaldi

O primeiro passo para o Estado laico

Imaginem a cena: você entra em um local público, um fórum, uma câmara, um tribunal, sejá lá o que for, e se depara com uma enorme estrela de davi. Seria estranho, não? Ou então, na mesa do juíz, está o alcorão. Ou, melhor ainda, já que estamos no Brasil, seria normal encontrar espalhado pelas escolas símbolos do candomblé e da umbanda, correto? Seria ok ter um “preto velho” no canto da sala?

Todas essas situações causariam estranhamento, para não dizer um choque, na maioria das pessoas. Mas só causariam tal estranhamento por se tratarem de símbolos que representam minorias no brasil: judeus, mulçumanos, umbandistas, espíritas e etc. Ninguém parece se importar em entrar em num local público e se deparar com uma cruz. Ninguém fica incomodado de ver uma bíblia na mesa de um juíz. Ninguém, caso você seja cristão ou tenha sido criado como cristão. Isso sem dúvida é tão estranho e tão incômodo para uma pessoa de outra religião, quanto seria para um cristão ser julgado num tribunal cercado por estrelas de Davi.

Ontem a Folha de São Paulo publicou uma matéria informando que Dilma Rousseff pediu para que fossem tirados de seu gabinete um crucifixo e uma bíblia. Um dos trechos da matéria é o seguinte:

Durante a campanha eleitoral, a então candidata se declarou católica e foi atacada pelos adversários sob a acusação de ter mudado suas posições religiosas.

A “religiosidade” que Dilma mostrou durante a campanha óbviamente foi uma manobra para não perder votos. Assim como a de Serra, que buscou até mesmo se aliar aos setores mais conservadores da igreja católica.

Segundo nossa constituição, somos um Estado laico, ou seja, nosso governo deve ser neutro quanto à religiões e, convivções religiosas pessoais dos governamentes não importam, já que esses governaram para todos. Desde a maioria católica quanto as minorias das outras religiões e também os que não têm religião alguma. É um absurdo, por exemplo, que uma criança seja submetida, em uma escola pública, à aulas de ensino religioso. Não seria tanto se realmente se ensinasse sobre religiões, e não somente sobre o cristianismo. Eu estudei em escola pública e sei como funciona. É um catesquimo fora de temporada.

Na quarta-série tive uma professora evangélica. Daquelas fervorosas mesmo. Nos fazia aprender orações e cantar músiquinhas religiosas, sem falar nos insuportáveis filmes do Smilingüido, aquela formiga sacana que adora cantar sobre Jesus. 

O ato de Dilma foi muito importante. Estamos longe de viver em um Estado laico de fato, mas o primeiro passo precisa sempre ser dado. Se Dilma é realmente cristão, como afirmou ser em sua campanha, eu não sei e também não me importa. O que me importa é que ela saiba diferenciar suas convicções pessoais da esfera pública. Espero que a medida seja levado à sério e como exemplo e que imagens de qualquer tipo de religião, seja um crucifixo, um santo ou uma bíblia, sejam tiradas de locais públicos.

PS: Se a lenda de que o Michel Temer é satanista fosse verdade, seria legal o gabinete do vice-presidente ser decorado com objetos de adoração ao tinhoso e tocando Slayer o tempo todo?

January 5, 2011 / vitorcaldi

top 10 – movie quotes

Aproveitando o tópico anterior sobre listas e cinema, segue aqui uma lista de citações famosas de filmes. Top 10 movie quotes, by Vitor Caldi.

1 – You talkin’ to me? You talkin’ to me? Well, who the hell else are you talkin’ to? You talkin’ to me? Well, I’m the only one here…  (Tá falando comigo? Tá falando comigo? Bem, com quem você está falando então? Tá falando comigo? Eu sou o único aqui…)

Filme: Taxi Driver

Personagem: Travis Bickle

Ator: Robert DeNiro

No momento mais insano do filme, Travis começa a se preparar para seu maior objetivo na vida: assassinar um candidato à presidentes dos EUA. Dizem que Scorsese deixou a câmera rolando e pediu para DeNiro improvisar. Saiu uma das cenas mais famosas da história do cinema.

 

2 – Of all the gin joints in all the towns in all the world, she walks into mine (De todos os botecos pelo mundo, ela entra no meu…)

Filme: Casablanca

Personagem: Rick Blaine

Ator: Humphrey Bogart

Quando o grande amor de sua vida, Ilsa Lund (nada menos que a Ingrid Bergman) entra em seu bar, na cidade de Casablanca

 

3 – Luke, I’m your father (Luke, eu sou seu pai)

Filme: Star Wars V – O Império Contra-Ataca

Personagem: Darth Vader

Ator: David Prose

Talvez a frase mais famosa do cinema. Não precisa de muitos comentários.

 

4 – I know it was you, Fredo. You broke my heart. You broke my heart (Eu sei que foi você, Fredo. Você partiu meu coração. Você partiu meu coração)

Filme: O Poderoso Chefão 2

Personagem: Michael Corleone

Ator: Al Pacino

Após sofrer uma tentativa de assassinato, Michael descobre que a armação foi feita pelo seu próprio irmão.

 

5 – I love the smell of napalm in the morning (Eu amo o cheiro de napalm pela manhã)

Filme: Apocalypse Now

Personagem: Kilgore

Ator: Robert Duvall

 

6 – Here’s Johnny! (Aqui está o Johnny!)

Filme: O Iluminado

Personagem: Jack Torrance

Ator: Jack Nicholson

Você é perseguido pelo seu pai, que está alucinado correndo atrás de você com um machado na mão. Você se esconde, ele arrebenta a porta e fala “Aqui está o Johnny!!!” com essa cara. Não é muito saudável.

 

7 – I’ll be back (Eu voltarei)

Filme: O Exterminador do Futuro

Personagem: Exterminador

Ator: Arnold Schwarzenegger

O exterminador deixa bem claro para todos que, felizmente, haveria um O Exterminador do Futuro 2 (que é melhor ainda que o primeiro!). Infelizmente, também houve o Exterminador do Futuro 3, com o Schwazza mais pra governador da Califórnia do que pra andróide do futuro.

 

8 – Yo, Adrian! I did it! (Ei, Adrian! Eu consegui!)

Filme: Rocky II

Personagem: Rocky

Ator: Sylvester Stallone

Após sofrer a derrota para Apollo Creed, o doutrinador, no primeiro filme, Rocky o derrota na continuação da saga do pugilista.

 

9 – If you shoot this man, you die next. Repeat: if you shoot this man, you die next (Se você atirar nesse homem você morre na sequência. Repito: Se você atirar nesse homem, você morre na sequência)

Filme: Cães de Aluguel

Personagem: Mr. White

Ator: Harvey Keitel

O ápice do filme, quanto Mr. White defende Mr. Orange que é acusado de ser traidor do grupo. Infelizmente, Mr White estava errado.

 

10 – Look Dave, I can see you’re really upset about this. I honestly think you ought to sit down calmly, take a stress pill, and think things over. (Olha Dave, eu vejo que você está chateado com isso. Eu honestamente acho que deveríamos nos sentar e nos acalmar, tome uma pílula relaxante e pense bem em tudo)

Filme: 2001 – Uma Odisséia no Espaço

Personagem: HAL

Ator: Douglas Rain (voz)

Após tentar desligar o astronauta Dave, aquele primata, o computador HAL é surpreendido pela engenhosidade dos humanos e pede clemência à Dave.

Claro que faltam várias frases aí, como: “Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé Piqueno, porra!”, mas essas 10 devem ser as minhas favoritas. Provavelmente.

January 3, 2011 / vitorcaldi

Filmes de 2010

Agora no finalzinho do ano eu esqueci de fazer o tópico de filmes de 2010. Segue então uma listinha de alguns filmes que vi no cinema esse ano. Alguns desses filmes são de 2009, mas só chegaram aqui em 2010.

A  Origem (Inception – 2010) – O último filme de Christopher Nolan consolidou o diretor dos dois últimos filmes do Batman entre os grandes da Hollywood atual. Ótimo filme.

Alice no País das Maravilhas – (Alice in Wonderland – 2010) – Decepcionante. Tinha tudo para dar certo, uma história alucinógena nas mãos do Tim Burton, mas a produção da Disney deixou o filme infantil e, diferente do desenho, a história é jogada, feito de qualquer jeito. Nem Johnny Depp e Helena Bonham Carter salvaram o filme

Ilha do Medo (Shutter Island – 2010) – Martin Scorsese fugindo um pouco do seu habitual tema de máfia e fazendo esse suspense muito louco (literalmente). Altamente recomendado.

Kick Ass (Kick Ass – 2010) – Na época de filmes de super-heróis feitos aos montes, Kick Ass é uma boa alternativa para quem quer fugir da mesmice desses filmes. Nicholas Cage detona no filme. Muito divertido.

Scott Pilgrim vs O Mundo (Scott Pilgrim vs the World – 2010) – Filmaço para quem gosta de video-games. É isso.

Toy Story 3 (Toy Story 3 – 2010) – Sem dúvida um dos melhores filmes do ano. Para quem pensou que a continuação da saga do caubói Woody e do astronauta Buzz Lightyear ia perder o fôlego, o filme foi uma amostra de que continuações podem sim dar certo. É só não esgotar a fórmula.

Trope de Elite 2 (2010) – Superou as expectativas. Leia mais sobre esse filme aqui.

Wall Street: O dinheiro nunca dorme (Wall Street: Money Never Sleeps) – Filme razoável. Não chega perto do original, mas é uma boa análise da crise econômica americana.

O Profeta (Un Prophéte – 2009) – Um dos filmes que mais gostei esse ano. Leia mais aqui

A Rede Social (The Social Network  – 2010) – Divertido e interessante. Trata de um assunto que parece sem muita importância, mas que está presente no dia-a-dia de uma enorme parte da população mundial. Bom filme do David Fincher (depois de alguns filmes chatos).

O Segredo de Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos – 2009) – Vencedor do oscar de melhor filme estrangeiro, é uma novelona argentina, feita para emocionar, surpreender e fazer rir. E consegue fazer tudo isso. Ótimo filme. Contudo, o que realmente merecia o oscar de melhor filme estrangeiro é…

A Fita Branca (Das Weisse Band – 2009) – Apesar de O Segredo de Seus Olhos ser um baita filme, a Fita Branca é mais surpreendente e mais importante. Leia mais aqui.

Tudo pode dar certo (Whatever Works – 2009)– Woody Allen + Larry David. Tinha como dar errado?

Você Vai Conhecer o Homem de seus Sonhos (You’ll Meet a Tall Dark Stranger – 2010) – A segunda estréia de Woody Allen nos cinemas brasileiros em 2010. Nada marcante na carreira dele, mas é um bom filme.

Os Mercenários (The Expandables – 2010) – Obra prima do mestre Sly. Vou colocar o link para um texto sensacional sobre esse filme que também é sensacional. Leiam aqui

Em 2010 foram lançados algums filmes que eu quero ver, e ainda não vi. (Ou por preguiça ou pq ainda não saíram nos cinemas daqui). Dois deles que eu tenho mais urgência para ver são Cisne Negro e Filme Socialismo.

Esqueci de algum importante?

December 28, 2010 / vitorcaldi

Adeus ano velho…

2010 acabando e eu só ouço gente falando: AÍ, ATÉ Q ENFIM, TCHAU 2010!

Eu sinceramente não tenho motivos para achar que 2010 horrível. Não foi espetacular, mas também não foi horrível. Como todo ano, teve coisas boas e ruins.

Coisas ruins de 2010:

– Estagnação na vida profissional. Foi meio que um ano perdido. Eu geralmente não ligaria pra isso, mas há alguns anos eu comecei a ter esse desespero de sair de casa e sei que só melhorando a vida profissional é que será possível atingir meus objetivos pessoais. E que seja isso mesmo daqui pra frente, pois o mais comum é você se acomodar e esses objetivos pessoais nunca saírem do papel.

– Fim da faculdade. Esse tópico vai pra coisas boas e ruins. Ruim é aquela nostalgia, eu realmente gostava de várias pessoas com quem estudei e, o pior do fim da faculdade, é a dúvida do que começar agora.

– Algumas amizades que se perderam, por falta de contato, por brigas idiotas, enfim…coisas que vêm e vão (ou não)

– Futebol. Péssimo ano. Copa do mundo decepcionante e o Palmeiras mais uma vez decepcionante. (Apesar de que a Copa do mundo vai para o tópico de coisas boas)

Coisas boas de 2010

– Fim da faculdade. Apesar das coisas ruins já ditas, é um alívio terminar a faculdade. Mesmo com as dúvidas do que fazer agora, é bom saber que não estou mais preso à isso.

– Namoro. Mais um ano que Daniela Viegas me aguenta, mesmo ficando descontrolado jogando video-game ou vendo jogos do Palmeiras

– 2010 foi talvez o ano que eu mais li na minha vida. O TCC me impulsionou a ler muito mais que o habitual, e eu diria que li uns 15 livros esse ano (considerando que eu normalmente demoro 2 ou 3 meses pra ler um livro, isso é MUITA coisa)

– Copa do mundo. Mesmo tendo sido uma decepção em resultados (Brasil e Inglaterra – fail e Espanha campeã), foi uma Copa. Nada é mais legal que Copa do Mundo.

– Eleição da Dilma Roussef. Cosneguimos evitar um retrocesso de 8 anos. Comecei a eleição com voto nulo e terminei fazendo “campanha” para a Dilma, após ver tanta merda sendo falada pelos eleitores do adversário (Dilma terrorista, bolsa esmola, só quem vota no PT é analfabeto, etc). “Elitizinha” classe média teve que aceitar uma manga deliciosa. Ri muito.

– Viagem para Argentina. Como um bom cidadão escravo do capital que sou, organizei minhas férias do ano e eu e Viegas rumamos à Argentina. Foi realmente legal. Adorei Buenos Aires…moraria lá. Amo São Paulo, mas Buenos Aires é mais dinâmica, mais fácil de se locomover e muito mais rock n’ roll.

–  Comecei uma dieta que, apesar de um deslize violent nesse final de ano, até que teve um resultado satisfatório. 2011 será marcado por uma dieta mais séria e, se o ócio não me destruir, até uma academia. Quem sabe…

– Show do Paul McCartney. Realizei um sonho, que poder ser lido aqui

Bom, acho que é isso. Claro que tem coisas pessoais que não vou escrever aqui, mas resumindo, 2010 foi um ano OK. Que 2011 seja melhor para todos!

December 22, 2010 / vitorcaldi

A origem do mal, segundo Bergman e Haneke

Dois filmes que devem ser assistidos em uma sessão dupla (coisa que eu não fiz ainda): O Ovo da Serpente (diretor: Ingmar Bergman – 1977) e A Fita Branca (diretor Michael Haneke – 2009). Tanto no filme de Bergman quanto no filme de Haneke busca-se descobrir a gênese de um dos regimes políticos mais importantes do século XX, o totalitarismo (no caso do filme, o nazismo).

No filme de Bergman aponta-se principalmente para a questão econômica da época, e a todo momento se dá enfâse aos problemas sociais, ao desemprego, a inflação e a humilhação pela qual passava o povo alemão ao fim da primeira guerra. A história se situa no começo da década de 1920, quanto Hitler dava seus primeiros passos na escalada ao poder. Já no filme de Haneke, a origem do mal é buscada um pouco antes e ele leva em conta a formação do “ethos” do povo germânico para explicar o fenômeno do nazismo. São duas maneiras distintas de olhar para o mesmo problema e duas visões que se completam.

Em A Fita Branca, a história acontece num vilarejo onde estranhos fatos começam a acontecer, e pessoas começam a ser punidas pelos seus “pecados”. As crianças, que são criadas em extrema rigidez religiosa e moral, são as responsáveis pelos crimes e, essa geração criada para a violência e para o preconceito, julgando tudo e todos que não se comportam de acordo com suas regras morais, é a que leverá a maquina do nazismo adiante. A criação cristã extremizada dessas crianças seria uma das justificativas para ter o judeu como bode expiatório. No filme de Bergman, o anti-semitismo é apontado como algo já decorrente na sociedade alemã, mesmo nos anos 20. Assim como em obras como A Origem do Totalitarismo (Hannah Arendt), é possível entender que o nazismo não criou o anti-semitismo, mas somente aproveitou o ódio ao povo judaíco para criar um inimigo comum. Em O Ovo da Serpente, o personagem Abel (representado por David Carridine, o Bill de Kill Bill) é judeu e sofre humilhações por isso. No final, se vê vítima de um experimento médico não autorizado. O uso de seres humanos para experimentos em busca de uma realização de algo “maior”, para o bem da raça ariana, é mostrado no filme relembrando os horrores dos experimentos nazistas, feitos pelo famigerado Dr. Josef Mengele (ouça um Slayer aí pra ter uma idéia do que ele era capaz de fazer). O médico rsponsável pelos experimentos acredita que aquela geração da qual ele fazia parte estava muito velha e muito humilhada para qualquer coisa, mas a nova geração alemã estaria pronta para uma revolução, e pronta para dar início a “maior sociedade da história”.

Os dois filmes terminam somente para nos lembrar o que veio depois dessa origem do mal. No de Bergman, um inspetor zomba de Hitler e de sua tentativa fracassada de começar uma revolução enquanto tomava umas biritas, o famoso episódio do “Putsch da cervejaria”. O de Haneke termina com o início da primeira guerra. As crianças alemãs que passaram pelas humilhações do Tratado de Versalhes estariam prontas para reconquistar sua honra alguns anos depois.

A idéia central dos dois filmes podem ser resumidas nessa citação do filme de Bergman:

“Ninguém vai acreditar em você, apesar de que qualquer um que fizer o mínimo esforço pode ver o que lhe espera no futuro. É como o ovo de uma serpente. Através das finas membranas, pode-se discernir o réptil perfeitamente concebido”.